Corregedor-Geral do GDF reúne-se com Procurador do Trabalho

terça-feira, 5 de junho de 2007


Dr. Valdir Pereira, Procurador do Trabalho

Está previsto para esta quarta-feira (6/6) uma reunião, convocada pelo Procurador do Trabalho Valdir Pereira da Silva, com o Corregedor-Geral do Governo do Distrito Federal (GDF), Roberto Giffone. O Procurador do Trabalho informará ao Corregedor-Geral do GDF acerca da preocupação do Ministério Público do Trabalho (MPT) com a contratação indevida de comissionados pelo Governo local.

“Não vamos aceitar a contratação de pessoas para exercer atividades típicas de servidores públicos, sob o rótulo de comissionados, que devem exercer unicamente atividades de direção, chefia e assessoramento”, confirma Valdir Pereira da Silva, que recebeu, na tarde desta terça-feira, representantes dos aprovados em concursos públicos já realizados pelo GDF e que ainda não foram contratados. Segundo o Procurador do Trabalho, essas pessoas estão preocupadas com o preenchimento dos cargos por comissionados.

Alessandro Santos de Miranda depõe na CPI do Apagão Aéreo

O Procurador do Trabalho Alessandro Santos de Miranda prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o apagão aéreo no Brasil, nesta segunda-feira (4/6). Como coordenador da Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente de Trabalho (Codemat), Alessandro Santos de Miranda aproveitou a ocasião para apresentar aos integrantes da CPI o relatório sobre as condições de trabalho dos Controladores de Tráfego Aéreo (ATCOs).


O relatório, que levou cinco meses para ficar pronto, traz os resultados das investigações realizadas nos 35 principais aeroportos das capitais e interior do País. A análise técnica feita, pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) nos aeroportos brasileiros, levantou dez causas da crise e elaborou 40 propostas práticas e concretas para a solução do problema, principalmente no que tange às condições laborais dos controladores de tráfego aéreo.


De acordo com o relatório, é necessária a contratação emergencial de 600 novos controladores. "Atualmente já está previsto em lei a abertura de 244 vagas de ATCOs, mas ainda é necessária a criação de mais 356", explicou Alessandro Santos de Miranda. "Do efetivo de pessoal do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro, apenas 20,35% são Controladores de Tráfego Aéreo", complementou o Procurador do Trabalho da Procuradoria do Trabalho da 10ª Região (PRT10), que inclui DF e Tocantins.


A análise técnica feita pelo MPT também alerta para a carência de especialistas técnicos nos Órgãos de Controle, a excessiva jornada de trabalho, a alternância dos turnos, a questão salarial, a concessão de linhas aéreas e, por fim, chama atenção para a existência de um meio ambiente de trabalho bastante desfavorável.


Segundo o relatório apresentado pelo MPT, uma das soluções para o fim da crise que abala o sistema aéreo brasileiro seria o aumento da gratificação específica para os controladores e demais especialistas, de modo a tornar a carreira mais atrativa, evitando-se evasão. Além disso, seria necessário estabelecer a dedicação exclusiva, o que impossibilitaria numa dupla jornada de trabalho.


Para o Coordenador da Codemat, Alessandro Miranda, "é necessário que o Poder Público envide esforços com o objetivo de tornar o controle do tráfego aéreo plenamente compatível com as demandas do setor e do país, por intermédio do aperfeiçoamento e ampliação dos recursos materiais e humanos, a fim de possibilitar o alcance de um efetivo incremento na eficiência e eficácia da ação governamental, justificando o elevado investimento realizado por meio dos tributos arrecadados pela sociedade".


Também compareceu à audiência da CPI do Apagão Aéreo o Procurador do Trabalho Fábio de Assis Ferreira Fernandes, do Ministério Público do Trabalho de São Paulo. Segundo ele, os problemas vieram à tona logo após o acidente com o vôo da GOL, quando “a situação dos controladores de tráfego aéreo piorou porque a Aeronáutica não assume que há problemas no sistema. Além disso, se um controlador faz alguma denúncia, ele é visto como insubordinado e pode ser punido pelas leis militares", acrescentou.


Procurador do Trabalho divulga relatório sobre situação dos controladores de tráfego aéreo

O Procurador do Trabalho Alessandro Santos de Miranda, da Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região, apresentou hoje o resultado do relatório realizado pelo Ministério Público do Trabalho em relação a “crise no setor aéreo”. O relatório contém as dez causas dos problemas e aponta ainda 40 propostas práticas e concretas de solução.


No Brasil, enquanto o movimento de aeronaves cresce 6% ao ano, o número de controladores cai 3% no mesmo período, aponta o relatório do Procurador do Trabalho, gerando insuficiência no número de controladores. Apenas aumentar o número de controladores não resolve a crise.


Existem ainda crises relacionadas à saúde e ao meio ambiente de trabalho. Os problemas e apagões aéreos começaram em setembro do ano passado, logo após o acidente envolvendo o avião da Gol e o Legacy, que resultou na morte de 154 pessoas.


De acordo com o relatório os controladores são subordinados a três regimes jurídicos diferentes. São várias pessoas exercendo a mesma função, mas com cargas horárias e salários diferentes. A grande maioria dos controladores é composta de militares.


Significa que foram submetidos a exigências severas, como risco de vida permanente, dedicação exclusiva, disponibilidade permanente, mobilidade geográfica, proibição de sindicalizar-se e de participar de greves ou de qualquer movimento reivindicatório, e ainda mantêm o vínculo com a profissão, mesmo estando na inatividade. Tais diferenças geram desconforto e dificuldades no relacionamento entre os controladores.


Abaixo, algumas das soluções apresentadas no relatório:

  • Capacitação e habilitação – realizar cursos de capacitação habituais para a formação e atualização, fluência em inglês e espanhol e continuidade das políticas internas de educação (hoje exige-se apenas o 2º Grau completo, formação de dois anos para militar e nove meses para civil, e curso de elevação de nível em inglês);

  • Carga horária – fazer um planejamento da carga de trabalho mensal, devendo ser respeitado; uso obrigatório do período de repouso e não ter horas extras (os militares possuem funções fora da sala de controle, o que sobrecarrega seus trabalhos);

  • Turnos de serviço operacional – acabar com os turnos alternados de trabalho; atualmente o turno é alternado, causando fadiga e outros transtornos à saúde, ocasionados pela sobrecarga de atividades;

  • Salários – por existir controladores militares e civis os salários são diferentes e a solução é promover um aumento da gratificação específica para os controladores e demais especialistas, tornando a profissão mais atrativa e garantindo melhor qualidade de vida;

  • Meio ambiente de trabalho e licenças médicas – revisar o sistema de ar condicionado e realizar análise ergonômica dos móveis, favorecer a lotação de profissionais de medicina e psicologia nos ambientes laborais, permitindo acompanhamento constante da saúde mental e física dos controladores.


Renata Losilla

Maurício Correia de Mello discursa no jubileu de 25 anos da Justiça do Trabalho

sexta-feira, 1 de junho de 2007

O Procurador-Chefe cumprimentou as autoridades presentes, os juízes, os membros do Ministério Público do Trabalho, os advogados e servidores da Justiça do Trabalho.


Na festa do jubileu de aniversário do Tribunal Regional do Trabalho, Maurício Correia de Mello disse que “a comemoração dos 25 anos da Justiça do Trabalho no Distrito Federal e Tocantins é um momento de festa e de alegria. Mas é ao mesmo tempo uma oportunidade de reflexão e de análise.” Ele perguntou: “O que aconteceu com a Justiça do Trabalho nestes 25 anos?”


Aproveitou a ocasião para lembrar que, com a Constituição de 1988, foi ampliada a competência desta Justiça especializada. “A meu ver, de forma mais profunda do que acabou sendo concretizada, pois já se prévia a competência para solução de conflitos oriundos das relações de trabalho, não se limitando às relações de emprego.”


O Procurador-Chefe da Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região (PRT10), que engloba DF e Tocantins, fez questão de ressaltar que “a edição da Emenda Constitucional 45/2004, promoveu nova ampliação que, mais uma vez, encontrou resistência na sua efetivação.” Segundo ele, o recado é bem claro: “A sociedade confia na Justiça do Trabalho e a quer ainda mais presente, na busca da paz e da justiça social.”


Representando o Ministério Público do Trabalho, Maurício Correia de Mello reafirmou que, com as novas atribuições dadas pela Constituição de 1988, consolidada com a Lei Complementar 75/93, a mensagem é a mesma. E fez uma breve retrospectiva: “Nesses 25 anos a Justiça do Trabalho tem respondido cada vez com mais ênfase a este apelo da sociedade.”


E foi além: “As teses do Ministério Público do Trabalho nem sempre são acolhidas neste Tribunal, o que é mais do que natural e democrático. Mas são sempre examinadas com profundidade” . Numa rápida avaliação, o Procurador-Chefe da PRT10 confirmou que “a Justiça do Trabalho no Distrito Federal e Tocantins não virou às costas para os apelos sociais. É instrumento, dentro de suas limitações, evidentemente, da paz e da harmonia. Mas acima de tudo, é ferramenta da garantia de dignidade do ser humano.”


Ao finalizar seu discurso, Maurício Correia de Mello fez uma avaliação da importância da comunhão de propósitos entre o MPT e a Justiça do Trabalho: “Estivemos próximos nestes 25 anos que se passaram e continuaremos assim, tenho certeza, pois nos aproxima o propósito comum de permanente proteção dos direitos humanos, em especial, dos direitos sociais dos trabalhadores. Temos, portanto, o que comemorar, temos alegria, temos justificado orgulho pelos 25 anos da Justiça do Trabalho no DF e Tocantins.”

Avança a negociação sobre escala de horário dos empregados da Cimento Tocantins

Em audiência realizada nesta quarta-feira pela manhã, houve avanço nas negociações sobre os horários dos trabalhadores da Cimento Tocantins S/A, empresa do grupo Votorantim. A Procuradora do Trabalho Adriana Machado, da Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região (PRT10), Distrito Federal e Tocantins, está mediando as negociações entre o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Cimento, Cal e Gesso do DF e a Cimento Tocantins.


A empresa propôs a implantação de turno fixo. O Sindicato alegou que os empregados estão insatisfeitos com essa proposta, pois os afasta mais da família e prejudica sua qualidade de vida. Na verdade, os trabalhadores gostariam de voltar à escala adotada até 2003, que funcionava da seguinte forma: eram quatro dias de trabalho com dois de folga, ou quatro dias de trabalho e três de folga, ou cinco dias trabalhando com dois de folga.


Diante da insatisfação dos trabalhadores, a empresa apresentou uma outra proposta que prevê a adoção de jornada de seis dia de trabalho com dois de folga, abrindo-se mão de posições fixas e buscando, por meio da flexibilização, encontrar as condições que melhor atendam aos interesses das duas partes. O Sindicato ficou encarregado de levar essa nova proposta aos trabalhadores. Nova reunião ficou marcada para a segunda quinzena de junho visando discutir a solução encontrada.



Renata Losilla

CPI do Apagão Aéreo ouvirá Procurador do Trabalho Alessandro Santos de Miranda na segunda-feira

O Procurador do Trabalho Alessandro Santos de Miranda, responsável pelas investigações envolvendo os controladores de vôo, divulgará na segunda-feira, (4/6), um diagnóstico da situação nacional dos controladores de tráfego aéreo. O relatório, que mostra 15 causas da crise e aponta 42 propostas de solução, será apresentado aos senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo, a partir das 14h30, na sala de audiências da Comissão, no Senado Federal.


As investigações sobre as condições de trabalho dos controladores de tráfego aéreo, em todo o País, vem sendo feita pelo Ministério Público do Trabalho (MPU) desde dezembro de 2006. Antes, porém, em outubro passado, já havia um procedimento investigatório em Brasília, conduzido pela Procuradora do Trabalho Ludmila Reis Brito Lopes, verificando as condições de trabalho no Cindacta I, e outro em São Paulo.


Na audiência de segunda-feira, os senadores da CPI do Apagão Aéreo também ouvirão os esclarecimentos, acerca do sistema de controle do tráfego aéreo brasileiro, do comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-ar Juniti Saito, e do presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi. Serão tomados ainda os depoimentos do tenente-brigadeiro-do-ar, Paulo Roberto Cardoso Vilarinho, ex-diretor-geral do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea); do diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Célio Eugênio de Abreu Júnior; e do presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Plínio de Aguiar Júnior.


Os senadores que integram a CPI já realizaram três reuniões para obter informações acerca da situação do tráfego aéreo brasileiro, incluindo as circunstâncias em que ocorreram o acidente entre o Boeing da Gol e o jatinho Legacy da American ExcelAire, em 19 setembro do ano passado. Nessas três ocasiões foram ouvidos alguns controladores de vôo, militares que investigam o acidente, além de presidentes de companhias aéreas, de um representante do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), que denunciou irregularidades na Infraero, e do delegado que presidiu o inquérito sobre o acidente envolvendo os dois aviões e que resultou na morte de 154 pessoas.

Há trabalhadores que cortam até 30 toneladas de cana por dia, diz procurador

quinta-feira, 31 de maio de 2007


Em algumas fazendas de cana-de-açúcar, há trabalhadores que cortam até 30 toneladas dessa planta por dia, o que em alguns casos leva à morte por fadiga. A informação foi prestada pelo procurador do Ministério Público do Trabalho Alessandro Santos de Miranda em audiência pública realizada nesta quinta-feira (31), no Senado, para debater as condições de trabalho no setor sucroalcooleiro. O procurador ressaltou que a atividade nos canaviais é realizada geralmente com intenso esforço físico, ações repetitivas e posturas inadequadas que geram acidentes e as chamadas doenças ocupacionais.

No debate, realizado em conjunto pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e pela Subcomissão Permanente do Trabalho e Previdência, da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), o procurador também afirmou que, além da extensa jornada de trabalho, os cortadores atuam quase sempre sem proteção e sob a exposição intensa do sol. E as ferramentas utilizadas para o corte seriam muitas vezes inadequadas, tanto em termos ergonômicos como de eficiência. Como exemplo, citou uma foice de cabo curto que leva o cortador a trabalhar com o corpo envergado e pode provocar problemas de coluna.

Estima-se que ao menos 19 trabalhadores rurais morreram nos canaviais localizados no estado de São Paulo, desde 2004, por excesso de trabalho. Sob o impacto desses dados, as usinas vêm anunciando medidas para melhorar as condições de vida de seus empregados.
Para Alexandre Betinardi Strapasson, do Ministério da Agricultura, em vez de haver um posicionamento contra a produção de álcool - e, mais especificamente, de etanol -, é preciso oferecer condições mais dignas de trabalho para os cortadores de cana. Ele é o coordenador-geral de Açúcar e Álcool da Secretaria de Produção e Agroenergia desse ministério.

Strapasson declarou que o país vive "um novo período de glória da cana-de-açúcar" e pode tornar-se um líder internacional na área de energias renováveis. Também frisou que "o etanol gera emprego e renda", além de ser um combustível com menor impacto sobre o meio ambiente.
- Não podemos culpar a cana, mas sim o processo como isso está sendo conduzido - argumentou ele, ressalvando que os cortadores de cana recebem um salário maior do que receberiam em outras atividades do meio rural.

Mecanização

O representante do Ministério da Agricultura também destacou que há no setor uma tendência de mecanização do processo de colheita, o que leva à eliminação dos empregos dos cortadores de cana. Segundo ele, estão previstas 77 novas unidades industriais até 2010, todas elas com colheita mecânica. Ainda de acordo com Strapasson, existem atualmente 350 unidades industriais no setor, sendo que algumas delas já estão se mecanizando, principalmente no estado de São Paulo.

- Cada colheitadeira mecânica, com um caminhão acoplado, tira o trabalho de 80 cortadores de cana - alertou Strapasson, acrescentando que uma das soluções seria a inserção dessas pessoas em outras atividades da própria cadeia de produção do ramo sucroalcooleiro.

Ricardo Koiti Koshimizu / Repórter da Agência Senado

ARTIGO - O CONCURSO PÚBLICO E OS MAUS GESTORES


Por Carlos Eduardo Azevedo Lima*

Mesmo passadas quase duas décadas da promulgação da atual Carta Magna, a chamada “Constituição Cidadã”, que consignou expressamente, em seu art. 37, II, a prévia aprovação em concurso como requisito obrigatório para o preenchimento dos cargos da administração pública, inúmeros gestores, em todas as esferas – Federal, Estadual e Municipal – ignoram tal preceito constitucional, pautando sua administração pela irresponsabilidade e total desrespeito aos princípios mais basilares do nosso ordenamento jurídico.
Como é cediço, o concurso público é a forma mais democrática de acesso aos cargos e funções públicas, haja vista não priorizar certas pessoas pelo simples fato de serem ligadas a determinado grupo político, mas sim pela aptidão demonstrada em provas nas quais todos os candidatos concorrem em igualdade de condições.

Pode-se até alegar que existe uma série de problemas que se manifestam bem antes da aplicação das provas, tais como a falta de condições de muitos candidatos para se prepararem adequadamente para o certame, tendo em vista o altíssimo índice de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza, sem poder sequer se alimentar de forma adequada, muito menos estudar, e que o concurso só faria com que se perpetuassem as grandes desigualdades verificadas em nosso país. De todo modo, ainda que haja imperfeições no sistema adotado pelo constituinte, não se vislumbra outro melhor, mesmo porque não há como comparar seus eventuais defeitos com os da contratação direta pura e simples, da qual se beneficiam tão somente os chamados “amigos do rei”.
Merece ainda ser observado, e esse ponto tem enorme relevância, que o concurso público seleciona os melhores. De fato, ainda que existam pessoas preparadas que eventualmente não logram o êxito esperado nas provas, essa não é, contudo, a regra.
Atento a todas essas questões e em especial à conduta dos gestores que desrespeitam o regramento constitucional, o Ministério Público do Trabalho vem atuando de maneira bastante eficaz, combatendo todas as arbitrariedades praticadas nesse âmbito e, frise-se, alcançando resultados bastante significativos.
Forçoso reconhecer, todavia, que mesmo após a celebração de Termos de Ajustamento de Conduta, com previsão de severas sanções pecuniárias, vem-se observando com freqüência não tão baixa o descumprimento, sem qualquer justificativa – até porque não dá para justificar o injustificável – dos aludidos termos.
O mais absurdo, porém, é que, mesmo após longos anos de descumprimento dos princípios constitucionais e legais alusivos ao concurso público, firma-se TAC concedendo-se prazo razoável para a adequação da conduta, o mesmo não é cumprido e, quando se ajuíza a competente ação de execução, os entes infratores ainda interpõem embargos à execução e, em seguida, agravo de petição, levando a juízo toda sorte de alegações descabidas e com nítido caráter procrastinatório, afirmando, dentre outras “pérolas”, existir uma suposta intransigência do Ministério Público do Trabalho (!?). Ora, não há como se dar a menor guarida a tal linha argumentativa, mesmo porque o Parquet não pode ser – e não é – complacente com tão graves irregularidades.
Visando combater esse descumprimento indiscriminado de TAC´s, o que se vê de forma ainda mais flagrante em períodos de fim mandato político – quando se está na iminência de se passar o “problema” (leia-se: ação executiva) para o sucessor – vem se buscando inserir nos instrumentos firmados perante o Ministério Público do Trabalho a obrigação pessoal do gestor, solidariamente à do ente que o mesmo representa. Em determinadas hipóteses, a responsabilização solidária do gestor é acordada em juízo, quando da tramitação da ação de execução do TAC, como contrapartida, por exemplo, a nova dilação de prazo pleiteada pelos administradores públicos, o que empresta maior efetividade aos termos de ajuste de conduta e até mesmo às decisões judiciais. Sim, porque a partir do momento em que se assume a responsabilidade de forma pessoal pelo descumprimento de certa obrigação, o interesse em cumpri-la passa a ser infinitamente maior.

Ademais, quem cumpre ou deixa de cumprir as obrigações pactuadas não são as pessoas jurídicas de direito público. Não é o Estado, o Município ou a União. Mas sim aqueles que estão à frente da administração de tais entes. Ao se deixar de admitir a responsabilização pessoal do gestor, acaba-se por infligir um duplo prejuízo à coletividade, que já se viu lesada em seu conjunto quando não lhes foram disponibilizadas as vagas para preenchimento dos cargos públicos, reservados a uns poucos e privilegiados apadrinhados políticos, e depois vai ter que pagar, através dos recursos públicos – cuja formação se dá através dos tributos de todos, inclusive daqueles que gostariam de ter se submetido ao concurso e não puderam porque este, irresponsável e ilegalmente, não existiu – pela reprovável conduta do gestor.
Conclui-se, assim, que não é o Ministério Público do Trabalho “intransigente” ao exigir, tanto administrativa quanto judicialmente, a observância do preceito constitucional alusivo à obrigatoriedade da prévia aprovação em concurso público. O que falta, na verdade, é responsabilidade por parte de alguns gestores ao conduzirem a “coisa pública”, preferindo utilizar-se de toda sorte de subterfúgios e recursos protelatórios, ao invés de pautarem sua conduta de acordo com o que prescreve o ordenamento jurídico pátrio.
Ao se responsabilizar esses maus administradores, de modo pessoal, certamente já se estará dando um grande passo.

Carlos Eduardo de Azevedo Lima é Procurador do Trabalho, oficiando na Paraíba